sexta-feira, 12 de novembro de 2021

The Four Senses (Os Quatro Sentidos)

 O Legado da Percepção.







Baseado em Factos Reais:
A vida e obra do "MC".
Os olhos são inúteis, quando a mente é cega, pois o mau caráter, retira todo o prestígio.


55 anos atrás:
Num pequeno vilarejo, na província de Manica, havia um jovem casal chamado Abdul Faquir Ismael e Zaida Khani.
O fruto dessa relação gerou 4 filhos: Karan, Mirlay, Sakur e Mohammad.

12 anos depois, a dona Zaida engravidou novamente (1963), e só veio a dar a luz, no dia 08 de Outubro de 1964 no distrito de Barrue, naquele momento de alegria após o parto, o meu avô deu-me o nome de Mohammad, que significa Belo ou louvado.



5 anos depois (1969):
Na aquela época, assolava uma doença chamada varíola, altamente transmissível através de pequenas partículas de gotículas, de homem para homem. 
Num belo dia, sem que eu me apercebesse, um dos meus amigos, que tinha essa doença numa fase inicial, acabou me contaminando inocentemente.
Só descobri, duas semanas depois, embora tarde, por que já havia afectado todo o meu corpo, inclusive os meus olhos (ao ponto de me deixar cego).




14 anos depois (1978):
Saímos da província de Manica (Barrue) para província de Sofala na cidade da Beira, por que os meus pais, tinham a intenção de me matricular em uma escola, que pudesse me proporcionar as melhores condições de aprendizagem, de acordo com a minha realidade, pois já havíamos ouvido falar do "Centro de Deficiência" localizada no 3º bairro do Goto (Beira).



22 anos depois (1986):
Num belo dia, enquanto eu fazia o meu trajecto rotineiro da escola para casa, descuidadamente tropeçei e caí num pequeno charco. 
Fiquei tão irritado, mas de seguida levantei, mantive a postura e voltei a caminhar.


Minutos depois: 
Enquanto caminhava, cruzei com um grupo de adolescentes, e um deles disse o seguinte: 
Deixaste cair uma chávena de chá em sua roupa, será que não percebeste? ou também, tens o problemas de tato Mohammad?



Pelo tom de voz e a falta de sensibilidade, logo pude perceber, que era o sem noção do meu colega Carlos, apenas lhe disse o seguinte: 
- Não constitui nenhuma novidade, dizer que eu sou desprovido da visão, por tanto é natural que eu tropece ou derrube algo;
- Ao contrário de ti, que enxerga muito bem, mas mesmo assim, conseguiste sair de casa sem lavar o rosto e por cima, usaste meias diferentes e viradas, será que não conseguiste perceber isso, ao logo do caminho? 
Carlos, lembre-se sempre:
"Antes de apontar a olheira nos olhos de alguém, certifique-se do seu primeiro".
Todos os amigos dele puseram-se a rir, e eu disse mais: 
"Na verdade, chegar cedo a esquadra, não significa ganhar a razão".



Daí continuei a caminhar em direcção a casa, mas algo me deixou bastante inconformado, saber que ainda existem pessoas insensíveis (sem ética/moral), que fazem piadas em relação a deficiência alheia.
Desde aquele, decidi lutar com unhas e garras por essa causa justa:
- Mostrar que a deficiência, não faz alguém menos homem;
- A deficiência, não tira o mérito de alguém perante a sociedade;
- A deficiência, não deve ser vista como um tabu ou incapacidade intelectual;
- Ninguém escolhe ser deficiente, devemos respeitar o estado de cada um, e não devemos fazer piadas ou estereótipos, pois todo mundo está sujeito a isso um dia (deficiência). 



No dia seguinte:
Em plena sala de aula, um dos meus colegas descuidadamente deixou cair uma lapiseira, bem do meu lado e disse o seguinte: 
Peço para apanhar a minha lapiseira, hoooo desculpe: não sabia que era você sem visão.
Apenas enclinei , lhe entreguei a caneta e disse o seguinte:
- "Em verdade lhe digo, um cego não é aquele que não tem a visão, mas sim aquele que não sabe discernir ou compreender as coisas ao seu redor", o colega percebeu que havia errado, e pediu desculpas.



2 dias depois:
Quando eu estava regressando da escola para casa, percebi que havia um grupo de adolescentes jogando futebol, e eu fiquei uns minutinhos fascinado e parado, como se estivesse a assistir.
Daí um dos adolescentes parou o jogo, e disse o seguinte:
Mas isso, só pode ser o fim do mundo, como é possível alguém sem visão, parar para assistir o futebol?
Eu lhe aproximei, e fiz a seguinte questão:
- "No meu quintal, existe 15 pés de alface, 13 de Cenoura e 8 de pepino, quantos pés totalizando eu tenho dentro do quintal?" 
Se acertar essa questão, eu lhe direi como faço para assistir o jogo de futebol, não é por acaso que me chamo Mahommad Charrif Ismael "MC - Love".




A história continua no segundo capítulo....





Escritor Roteirista:
Edson de Lima Santana

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