domingo, 15 de novembro de 2020

A EMPREGADA DOMÉSTICA

 


``FOI POR UM TRIZ``


Doce Lar, Pessoas Amargas



Chamo me Elsa Pires, tenho 53 anos, casada, mãe de 2 filhos e ganho a vida como empregada doméstica.

Perdi os meus pais na guerra dos 16 anos, por sorte o nosso meio de subsistência era a machamba, que os meus pais ainda em vida haviam deixado. Deixei de estudar na 5ª classe do antigo currículo, por que eu não tinha as mínimas condições para continuar com os meus estudos, passei a viver de negócios por conta própria vendendo no bazar do Maquinino, foi quando uma das minhas primas disse

que em sua zona, havia um casal que estava a precisar de uma trabalhadora doméstica.

No dia seguinte acordei muito cedo, organizei a minha casa e fui ao endereço que a minha prima havia me indicado para pedir emprego, quando eram por volta das 6:30min a Sra. Alima,  ouviu a minha voz pedindo licença, e ela saiu para procurar saber o que eu estava a precisar, me atendeu com muito respeito e delicadeza e conversamos a respeito do serviço que eu estava interressada em fazer. Daí entramos em acordo, que eu deveria prestar serviços durante um dia inteiro, para ela avaliar o meu jeito de trabalhar.

Quando eram precisamente às 17h, o Sr. Adérito Abreu e Dona Alima Morgado estavam regressando do serviço, foi quando o Sr. Adérito disse a Dona Alima (amor) devemos admitir essa senhora, gostei do jeito que ela trabalha. O senhor Adérito disse dona Elsa quero que saibas, em todas sextas-feiras gosto de tomar sopa, considere isso, como se fosse uma regra de casa.


Como diz o ditado:

Se o marido é bom, a esposa é meio esquentada ou vice versa, "a família Abreu" não era excepção. A dona Alima era muito esquentada, mas enfim eu não estava naquela residência para avaliar as pessoas, apenas estava para cumprir os meus deveres e no final do mês receber, o fruto do meu suor. 7 meses depois, eu já era considerada membro da família, por que cumpria com os meus deveres, respeitava e sabia ficar no meu lugar. Foi quando percebi que a dona Alima estava grávida, e sugeri que ela fosse comprar um teste rápido para certificar, E a voz da experiência mostrou que eu estava certa, a dona Alima realmente estava grávida.

A dona Alima, sempre regressava a casa na companhia da sua irmã Isabel, e suas duas amigas Fernanda e Nilza.  Através do meu instinto feminino, pude perceber que a Nilza não gostava da dona Alima, ou seja tinha inveja das suas conquistas no lar. Deu para perceber do jeito que ela falava ou olhava para a dona Alima, não era um olhar sincero, mas como diz o ditado: "A verdade vêm a tona, tarda mas não falha."

Na manhã de quarta-feira o Sr. Adérito se desentendeu com a dona Alima e tiveram uma briga feia, até ao ponto da dona Alima dizer que ele era um bêbado incorrigível, se comportava feito uma criança e mal sabia se posicionar como a cabeça da família, naquele momento o Sr. Adérito saiu fora de se, e lhe deu uma chapada, daí ficou um silêncio total, pois ninguém queria falar mais e muito menos olhar para o rosto do outro.

Na quinta-feira o Sr. Adérito logo pela manhã, pediu as sinceras desculpas a esposa, e disse que usou a violência por estar muito triste com o comportamento dela. Disse mais, sempre que eu notava algo de errado em ti, procurava uma boa maneira e um momento certo para te falar, sem necessariamente precisar de ferir os seus sentimentos, mas dessa vez Alima, passaste dos limites, falaste como se estivesses, a se livrar de algum fardo.

Como diz o ditado: "Por vezes as pessoas falam a verdade quando estão em descusão ou quando estão nervosos". Mais percebi o recado, vou fazer de tudo para melhorar nos aspectos, que me disseste, mais a dona Alima, mesmo assim não foi capaz de dizer absolutamente nada, sinal que ela ainda estava nervosa e não o havia perdoado. No final do dia, quando a dona Alima regressou do serviço, apenas vi as amigas descendo do carro, menos a sua irmã Isabel.

Quando eu estava a passar do corredor do quarto da dona Alima para ir fazer limpeza no WC (quarto de banho), ouvi a "Nilza a dizer algo muito grave, para a dona Alima" embora estavam com portas fechadas. Na manhã de Sexta-feira a dona Alima, não foi ao serviço, o que certamente despertou a minha atenção. Ela ficou em casa e até me ajudou a organizar algumas coisas. Quando eram por volta das 16:30min a dona Alima pediu para que eu fizesse a sopa, para o patrão como era de costume. Eu caprichei a sopa, mais estava a desconfiar das boas intenções da dona Alima.

Pontualmente às 17:30min o Sr. Adérito chegou a casa, eu quis aquecer a sopa, mas a dona Alima disse para que eu deixasse, por que ela mesmo havia de aquecer, o que aumentou ainda mais a minha desconfiança, enquanto o Sr. Adérito tomava banho, eu fui trocar de roupa para ir a minha casa. 5 minutos depois, quando o Sr. Adérito estava sentado na mesa a espera da sopa ser aquecido pela dona Alima, eu mandei várias mensagens para o Sr. Adérito dizendo a mesma coisa: 

"Só aceita tomar essa sopa com a sua esposa, mais primeiro pedi a ela para provar, caso ela recuse, dê um pouco ao gato." 

3 minutos depois, o Sr. Adérito pediu a sua esposa para servir 2 pratos, e de seguida pediu para que ela prova-se a quantidade do sal, e por mais de 5 vezes ela recusou provar, alegando que tudo estava bem. O Sr. Adérito seguiu com as recomendações dada via sms por sua trabalhadora Elsa em menos de 2 minutos, o gato morreu.


Voltando para quinta feira (1 dia antes):

Quando a trabalhadora doméstica Elsa ia fazer limpeza no quarto de banho ouviu a Nilza a dizer: Assim que o bêbado, do seu marido ganhou o gosto em te bater não irá parar mais, é melhor você lhe envenenar, ficar com essa casa e tudo aqui dentro, põe o veneno na sopa como ele gosta.


TEXTO DE REFLEXÃO



Achas que o Sr. Adérito, deve perdoar e continuar com a esposa ou não?


Escritor:

Edson D'Lima Santana

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