“Se eu pudesse recuar o tempo”
Chamo-me: Mariana Silvia, vivo com os meus pais, tenho 28 anos e sou solteira. Venho de uma família humilde, o meu pai (André) é segurança da G4S e a minha mãe (Ana Clara) é médica. Os meus pais apenas tiveram dois filhos: Charles e eu (Mariana). Desde pequena era muito inquieta
e não aceitava levar desaforos para casa. Na minha adolescência, brigava muito com meu irmão mas velho Charles, ele era muito tímido e fraco, até parecia que eu era o homem e ele a mulher em casa. O meu irmão Charles, apesar de ser fraco era muito e inteligênte. Enquanto eu nem queria saber da escola, muito menos das aulas de matemática sentia muita preguiça.Na verdade, nem queria ver o professor de matemática a entrar na sala, logo ficava mal disposta, principalmente quando ele deixava TPC (Trabalho Para Casa). No dia seguinte, eu fazia a questão de não entrar sala de aula no período em que ele fosse a leccionar, ou até mesmo inventava doença para ficar em casa.Quando os meus pais aperceberam-se da minha má atitude, começaram a ser mas exigente comigo, por que sabiam se eu continuasse com esse comportamento havia dê-me perder, e não teria nenhum futuro.
Pai da Mariana:
“Geralmente quando uma criança (filho) têm um comportamento desviado, a maior responsabilidade recaí para os pais. Pós eles, é quem são os maiores culpados, por não terem dado as devidas assistências." Sinceramente, eu e a minha esposa apostamos muito na educação, carinho e atenção dos nossos filhos, para que não lhes faltasse nada.
Somente o Charles era "obediente" e seguia a risca os nossos ensinamentos. Mais a Mariana sempre foi mais teimosa, acho que nós os pais dela falhamos por lhe ter mimado, na aquela inocência por ela ser mulher e mais nova de casa. A situação ficou mas agravante quando a Mariana começou a namorar, ela já não nos respeitava, achava que era a dona do seu próprio nariz. Na escola ela havia desistido, os deveres de casa mal fazia. Não nos dava ouvidos, isso é pior humilhação para nos como os pais, era como se fosse uma ferida incurável.
4 anos depois:
Mariana: o meu pai perdeu a vida, vítima de um ataque cardíaco, como se não bastasse eu acabei mudando drasticamente, isso é de mal para o pior. Quando eu fosse para uma festa com as amigas só regressava no dia seguinte, bem bêbada e sem noção de nada, por que eu sabia que a minha mãe não haveria de me fazer absolutamente nada.
Mãe da Mariana:
É triste para uma mãe, ver o futuro da sua filha a se desmoronar. Na verdade sentia como se estivesse a ser enterrada viva por minha própria filha, não lhe podia expulsar de casa, por que ela é sangue do meu sangue, mas também não trabalhava e nem tinha onde cair morta (lugar para viver). Irei deixar que o destino lhe ensine, pós eu como mãe sempre cumpre com o meu dever, lhe educando e submetendo a escola para amanhã ser alguém.
2 anos depois:
A minha mãe adoeceu com problemas de tensão. Mas ela conseguia suportar as crises de tensão baixa que afetavam a sua saúde. Ela sempre dizia: “Filha a vida é curta e o tempo não perdoa, hoje achas que tudo não passa de uma diversão, mas amanhã vais dar conta que só estiveste a desperdiçar o seu tempo, com coisas que não vão ti ajudar a progredir na vida, por que a brincadeira não acaba."
4 semanas depois:
Quando a Mariana estava em casa da amiga a conversar, recebeu a mensagem da mãe que dizia: “Peço a sua ajuda filha estou a passar muito mal em casa”. De imediato a Mariana foi para casa correndo, para dar assistência a mãe. Quando ela chegou a casa, a mãe estava sem forças e lhe disse:
“Filha, peço que mude de comportamento, deves ser mais responsável e mais respeitosa, talvez nós como os seus pais em algum momento nos descuidamos na sua educação, peço que nos perdoe por isso, eu me espelhava em te, mas não te vou esconder, magoaste muito o meu coração, mas como sempre o coração de mãe é compreensível, amoroso e não guarda rancor, por isso te peço minha filha mude.”
De repente ficou um silêncio total no quarto, ela já não estava a falar mais nada e nem estava a se movimentar, daí a minha ficha caiu, se eu soubesse que eram os seus últimos momentos, talvez teria dito algo para lhe agradar, o arrependimento bateu a porta porém era tarde demais.
“Se eu pudesse recuar o tempo” só para ela me ouvir ao menos, foi tudo tão de repente, que nem tive a chance de a despedir, me perdoe mãe.
Escritor:
Edson De Lima Santana
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